sexta-feira, 30 de outubro de 2009

CRIANÇAS E CRIATIVIDADE



segunda-feira, 19 de outubro de 2009

SAUDAÇÃO

As notícias de violências em série saídas do ventre da amada Cidade do Rio de Janeiro, machucam o peito da gente, não importa a que distância estejamos. Somos parte desta mesma humanidade, e se há irmãos na dor, na dor também estamos. Conversando com amigas, refletíamos sobre o nascimento e crescimento do sadismo, como ele corrói a beleza do viver, como destrói as alegrias mais simples, como desequilibra o homem dentro de si, como usurpa a esperança que alimenta o coração.
Lembrando Cecília Meireles:


No mistério do sem-fim equilibra-se um planeta. E, no planeta, um jardim, e, no jardim, um canteiro; no canteiro uma violeta, e, sobre ela, o dia inteiro, entre o planeta e o sem-fim, a asa de uma borboleta”


Cantemos com a poetisa, a felicidade de viver neste planeta, entre primaveras de esperança... Alimentemos de Amor nosso coração, para transbordar para nossa família, nosso ambiente, nossa vizinhança...o planeta terra!

Que os homens e mulheres com responsabilidade de comandar a cidade, tenham lucidez para ver a realidade, humildade para admitir as fraquezas e erros do governo, generosidade para compartilhar as decisões, seriedade nas medidas necessárias, e não explorarem o medo da população em benefício de suas vaidades....Que olhem e enxerguem, ouçam e escutem!



sábado, 8 de agosto de 2009

UM DIA NO RIO DE JANEIRO ( 2 )

Yasmin saiu cedo do Hotel no Leme, queria visitar uma amiga, fazer cócegas na memória. Tomou o metrô até o Largo do Machado, onde visitou a loja de flores. Eram vivas rosas, lindas para um mimo de amiga. Com o pequeno ramalhete de botões, ali mesmo no Largo, tomou o ônibus 407, para o bairro guardador da memória da cidade. Era um ônibus com gente comum, certamente moradores das comunidades dos Prazeres e da Julio Otoni, crianças e adolescentes indo pra escola, mães com compras de mercado, um homem de pasta na mão, Yasmin sentou com suas flores serenas na mão direita. Pelas propagandas, o ônibus estaria carregado de balas, quem sabe fuzis se sentassem nos bancos? Yasmin sorria por dentro, o rosto desanuviado de quem tem belas lembranças do lugar. Logo partiu o veículo, pela Rua das Laranjeiras, parando e recebendo novas caras de gente esperançosa. Na ladeira da Julio Otoni, curvas e mais curvas, paradas e mais paradas; alcançou fagueiro o alto da Almirante Alexandrino. Que nome bonito este aí! Não tanto pelo almirante que Yasmin não conhecia a bravura, nem a ética, mas o “alexandrino” lembrou as noites juvenis, quando os grêmios literários eram vivos “points” de seu tempo de moça. No edifício sempre-o-mesmo, oos abraços reforçavam a duradoura amizade de mais de 20 anos. Luzia arregalou os miúdos olhos sobre os botões de rosas deitados em seus braços. Foram muitas conversas regadas a sucos e biscoitinhos de produção caseira. Luzia era exímia na delicadeza dos lanches que regavam os encontros entre amigos do bairro. Sorridente e faceira, nada a perturbava, nem mesmo a ameaça de um diabetes anunciada com uma certa agonia pela filha enfermeira. As amigas resolveram dar uma esticada pelas ruas. O bonde passava com seu deslizar sobre trilhos, enfeitando a via pública de pernas e cabeças multicores. O bondinho de tantos amores estava firme: em movimento constante, era uma espécie de estandarte, onde se podiam ler histórias da resistência cultural do bairro. Luzia e Yasmin se foram de bonde, desceram no Largo do Guimarães. A Livraria Largo das Letras era a surpresa anunciada pela amiga. Dali se podia contemplar a Baía da Guanabara, a copa das árvores, o movimento do Largo, ateliers de artistas expondo criatividade, a brisa soprando sons de flautas e violas em ensaios de festa. O café delicioso acompanhou a tarde de lembranças, visitaram o Mercado das Pulgas, pode-se dizer que se nutriram do “caldo de cultura” do Largo. Finalmente, as mulheres deram o abraço de despedida, Yasmin tomou o bonde até o Largo da Carioca, ainda passeou na Rua da Carioca, visitou o armazém buscando um chá especial, verificou que o Cinema Íris ainda está de pé, e voltou tranqüila para o hotel: ainda ia receber amigos antes de partir.

domingo, 26 de julho de 2009

UM DIA NO RIO DE JANEIRO

Dessas coisas maravilhosas quase ninguém fala, então não posso calar!

Foi simplesmente um dia de andanças entre Copacabana e Bangu; fizemos um roteirode metrô desde a Siqueira Campos até Central do Brasil, e dali seguimos de trem até Bangu, tranqüilamente, nenhum constrangimento, nenhum mal estar; as estações se sucediam, entra e sai de passageiros apressados pra chegarem ao trabalho, ou aos afazeres cotidianos, um retrato da luta pela sobrevivência com alma carioca, bonitos movimentos de corpo, segurando bolsas e livros, uma festa de vida.

Em Bangu, seguimos a visitar amigos, como era longe, tomamos um táxi, rodamos em ruas comuns, algumas quitandas vendiam frutas, legumes, verduras frescas.

Amigos acolhedores e sorridentes nos esperavam, tivemos um dia de mimos, com almoço simples, retratos, álbuns, presentes, roseiras, lírios e manacás perfumando os ares!

Ao retornar, por indicação dos amigos, preferimos experimentar o ônibus Integração/Metrô, de Bangu até a Estação Coelho Neto: a surpresa veio na qualidade do ônibus, bem arejado, em ótimo estado de conservação.

Anoitecia quando entramos no metrô; a zelosa mãe aninhava a filha retornando da escola, outra amamentava o bebê apressado em viver. Pais carregavam sua bagagem de trabalho, o olhar no aconchego da casa. Jovens com suas mochilas e risos cheios de esperança. Assim, as estações iam correndo em direção ao Estácio; passada uma hora, estávamos sentados, na linha 2, enquanto a voz anunciava: “próxima parada, Praça Onze”, as estações de novo se sucediam, novos anúncios, mais gente entrando, saindo, amigas conversando, amigos no abraço, rostos cansados de mais um dia de trabalho.

Chegamos de novo na Siqueira Campos, andamos a pé até o hotel, nada luxuoso mas ótimo serviço, e ainda tivemos energia para um jantar amigo, entre risos e serenidade.

Outros dias, outros roteiros de paisagens surpreendentes, gente bonita, e muita satisfação como visitante.

‘Taí um Rio que não se conta!

Obs: Colhi o depoimento de amigos viajantes, felizes de ter escolhido esse roteiro.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

PLANTAR PARA CURAR

Amigos, Trouxe para esse cantinho, o resultado de um estudo das plantas medicinais feito com a comunidade indígena Potiguara da Aldeia Forte, na Paraíba. O trabalho foi dinamizado pelo estudante de Etnobotânica, Xavier Gegout. As crianças participaram com uma alegria sem par. Quero compartilhar esse contentamento também meu, acreditando que o livro representa um passo na restauração da memória dessas comunidades que estão perdendo seus conhecimentos originais. Trata-se de uma pequena edição, 335 exemplares, sendo 255 destinados aos moradores da aldeia e às bibliotecas das escolas públicas locais. São apenas 80 livros disponíveis pra venda, portanto não vai pra livraria. O resultado será destinado à construção da sede da Toré Forte - Associação Cultural Indígena Potiguara- realizadora do projeto. Existem diversos projetos que estão dependendo da conclusão da sede, pois a aldeia não dispõe de espaço para aglutinar os moradores em atividades culturais. Uma realidade que eles querem mudar.Os amigos que desejarem obter o exemplar, queiram nos contatar. Tenho estado longe dos blogs, ocupada com diversos assuntos que não cabem na internet, por isso desculpem as ausências. E obrigada pela paciência e atenção. Contato: itajacianapotiguara2009@yahoo.com.br

sábado, 18 de abril de 2009

SER ÍNDIO

Uma homenagem aos ancestrais *** de todas as etnias indígenas, representadas pelos Potiguara.

Ser ou não ser índio, branco ou mulato nesse planeta de cinzas Ser ou não ser? Diplomas, decretos, papéis impedem o sabor do homem desdentado em busca do tempo passado

Saberes sem conta esquecidos no mato

para sempre perdidos?

Ser ou não ser...

Como ser índio

Amar a terra, o ar, a água,

Sem perder-se nos vulcões? Em dança redonda* entoam o canto a Tupã

Flauta, tambores, maracas, animam o passo

dos pés descalços unificados

na beleza do toré*

a flauta lamenta seu desterro

enquanto a alma mergulha

em lembranças ancestrais

debaixo do céu de estrelas.

Ser valente, ser da terra irmão

Ser Potiguara filho de Tupã Akajutibiró! Akajutibiró!

segunda-feira, 16 de março de 2009

Ai que Fome!

Ai que fome!

Como a cama

cheiro de rosas damascenas

do meu ventre palpitante?

Ai que fome!

Nas vitrinas, douradas peças,

lenços de seda, cavalos correndo,

na direção de Granada,

jardins sem fim de sábios desenhos,

violinos ao Amor!

Ai que fome!

Trituro louças bordadas

pego o trem das nove,

sem olhar para trás:

Onde irão meus sapatos de saltos piramidais

inexistentes? Talvez passe sob o arco-íris libertação

Ai, que fome!

Mastigo a lua de arrepios e corpo nu

Devoro a cama, com cheiro de amores:

Todos eles tão passados

Desbotados na lembrança do sete estrelo.

Cinzas mornas, ainda quentes,

arrepios de lua correndo no céu de Ruanda,

Corpos nus, sangrados pelo ódio,

Insanas mãos!

Ai que fome!

Neurônios voam janela afora,

Assombrados pelas imagens,

Sem esperar o amanhecer das maçãs douradas

No coração da menina.

16.03.2009

foto: barra grande, alagoas